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Dr. Dolittle brasileiro.

21/07/2008 Dr. Dolittle brasileiro.

O veterinário André Sena Maia fala mesmo com os bichos ou ele não bate bem? "Eu falo mesmo com eles. Às vezes, acham que sou meio maluco. Conversamos com chimpanzé, por que não com os outros? Mas eu não entendo o que eles falam", brinca doutor André, da Fundação Zoológico de Niterói (Zoonit).

 

Pode até não entender, mas a comunicação do veterinário com os animais é quase perfeita. Como quase todos os bichos do Zoonit, o leão foi abandonado. O animal foi deixado numa jaula, na Região Metropolitana do Rio.

 

"Como tem uma exigência nutricional muito alta, a pessoa que cuidava dele usava cachorro, gato e até cavalo atropelado para alimentá-lo. Tanto que achamos ossadas de animais perto dele. A população vizinha começou a reclamar e questionar a segurança", conta doutor André.

 

Domesticado e bem alimentado, o leão às vezes troca o estrondo poderoso do rugido pela docilidade de um gato tamanho-família. "Os leões não têm instinto assassino como a gente pensa, eles só caçam quando é necessário. O leão macho toma mais conta do território do que caça propriamente. Mas como sente que nós alimentamos e cuidamos dele, ele gosta do ser humano", explica o veterinário, especialista em reabilitação.

 

Ele está acostumado a lidar com animais selvagens que são abandonados pelas pessoas depois da tentativa fracassada de transformá-los em bichinhos de estimação. Domesticar um macaco-prego, por exemplo, é o mesmo que levar para casa um transtorno infernal.

"São esses que as pessoas compram filhotinho e criam em casa como se fosse uma criança, trocam fralda e tudo mais. Mas quando chegam à maturidade sexual, em torno de dois ou três anos, eles começam a questionar a liderança – e questionam com força. Então, acabam mordendo e machucando as pessoas", diz o veterinário.

 

Abandono

 

Sem saber o que fazer com o problemão dentro de casa, as pessoas deixam os bichinhos nas praças, parques e terrenos baldios. A disseminação do macaco-prego – que é originário da Amazônia ocidental, mas foi espalhado pelo Brasil inteiro pelos traficantes de animais – ficou incontrolável. "São esses que invadem a casa das pessoas, abrem panelas, ligam a luz, abrem a geladeira. São animais extremamente inteligentes, mas são perigosos", ressalta o veterinário.

 

É para o Zoonit que o Ibama e a Polícia Florestal levam grande parte dos animais maltratados ou feridos que encontram por aí. Os da fauna nativa são tratados e depois devolvidos à natureza. Mas há casos em que a recuperação total é impossível.

 

"Esses animais também são atingidos por linhas de pipa que as pessoas deixam presas nas árvores. Uma coruja está com a asa amputada e não pode voltar para a natureza. Nós os deixamos aqui em exposição, para que as crianças vejam e aprendam a ter responsabilidade em relação ao simples brinquedo que é uma pipa. Uma simples linha de pipa pode condenar um animal como esse a viver para o resto da vida dentro de um zoológico", alerta o veterinário.

 

Outro condenado é um urubu, mascote do zoológico, também atingido pela linha de uma pipa. Ele virou pedestre, convivendo com os gatos, zanzando entre jaulas e gaiolas.

 

Hora da higiene pessoal do mais popular de todos os moradores do zoológico, o chimpanzé Jimmy. "A gente usa creme dental infantil porque ele não aprendeu a cuspir e engole a pasta porque é gostosa", conta doutor André.

 

Fiscalização

 

Jimmy foi apreendido numa blitz da Polícia Rodoviária. Levado para o zoológico, é tratado que nem gente. Alguns ambientalistas criticam a tentativa de humanizar os animais, mas doutor André diz que, no caso de Jimmy, que já era domesticado e que jamais será devolvido à natureza, o manejo acaba ficando mais fácil e mais prático.

 

"Temos que deixar o chimpanzé se socializar conosco, para nos socializarmos com ele. Podemos enfiar uma agulha e tirar o sangue dele voluntariamente. Poucos animais fazem isso. Ele aprendeu tudo só conversando com a gente. É uma por troca, logicamente, mas é conversando. Para deixar tirar sangue, ele teve que ganhar dois litros de refrigerante diet e um pacote de biscoito e mais um beijo da minha esposa", diz o veterinário.

 

Socializar-se é com o Jimmy mesmo, que vive sozinho na jaula, mas detesta a solidão. "Ele é capaz de enrolar o cobertor e colocar embaixo da porta de guilhotina para que a porta não feche e ele possa pegar a comida e voltar", conta doutor André.

 

Inteligente, divertido, brincalhão, mas com uma força descomunal, equivalente à de seis homens adultos. Nada é mais perigoso do que um ataque de fúria de um chimpanzé. "Se o leão fugir, podemos ir para uma sala e nos escondermos. O leão, então, fica em volta da sala. Se o chimpanzé fugir e tiver raiva de você, ele força a maçaneta, sobe e tenta arrancar a telha para pegá-lo lá dentro", diz o veterinário.


Fonte: G1


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